segunda-feira, 4 de julho de 2011

Psicólogos e as Drogas: Relação de medo

Com a crescente procura de atendimento psicológico para o tratamento de dependências químicas, julgo necessário iniciar algumas postagens sobre o tema em questão. Muitos psicólogos se recusam a atender essa população pela baixa adesão ao tratamento e pela frustração pessoal em executar um trabalho de qualidade e inúmeras vezes se deparar com um recaída. Este comportamento não é somente observado nos psicólogos, mas na grande maioria dos profissionais da saúde, na política, na população geral. Não irreal, há uma associação clássica da droga com a violência, com a prostituição, com a dificuldade de recuperação, entre outros; o que estigmatiza a droga e o usuário.

Penso particularmente que a principal função dos Psicólogos seria combater estes tabus acreditando no indivíduo sem o uso das drogas, sem observar ele como a personificação da doença, mas como alguém que precisa de acolhimento social procurando auxiliá-lo a recriar sua vida, muitas vezes destruídas pela droga e pelo tabu. Com a produção do conhecimento, é possível demonstrar aos profissionais da saúde, assistentes sociais e afins, que a recuperação é sim possível através do trabalho árduo e esperança na recuperação dia-a-dia.

Com o movimento anti manicomial da década de 70, o governo procura auxiliar os dependentes através dos CAPs AD. A intenção é criar 1 CAPs AD para cada 70.000 habitantes. Em Curitiba, a quantidade de CAPs auxiliaria uma população de aproximadamente 400.000 habitantes porém, contamos com mais de 1.800.000 habitantes. Desta forma as comunidades terapêuticas foram criadas para suprir esta demanda, o que é alvo de muita crítica. Boa parte destas comunidades estão vinculadas a grupos religiosos e é comum observar internamentos de até 9 meses sem a possibilidade de sair do local. Bíblias já foram escritas para o tratamento da dependência química e pouca ciência esta associada a isto.

Como combater? Sem críticas é um começo! Sem estas comunidades milhares de dependentes beirando a morte ficariam sem apoio social. Por outro lado a produção científica fomenta novas instituições, novos tratamentos, novos profissionais interessados em lutar contra as drogas, novas técnicas para evitar recaídas, melhorar a adesão, tornar o tratamento efetivo e permanete. Mas o estigma prevalece atando com o medo a possibilidade de levar saúde a quem precisa. Novamente falamos em educação...

Se Skinner estava certo ao dizer que "o condicionamento se mantém a despeito da consciência", lutamos aqui contra uma consciência estruturada erroneamente pela cultura e seus tabus. Ou seja, muito trabalho para mudar essa realidade!

Links interessantes:

Sobre CAPs e a reforma antimanicomial
Secretaria Anti-Drogas
Notícia Folha de São Paulo sobre criação de nova comunidade terapêutica
Narcóticos Anônimos
Alcoólicos Anônimos
Site Droga Zero

quinta-feira, 19 de maio de 2011

[A LIGA] Sexualidade

Muito mais frequente do que se pode imaginar! Excelente reportagem do programa A LIGA! sobre sexualidade!

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7

terça-feira, 10 de maio de 2011

[Folha.com] Doenças psiquiátricas roubam mais anos de vida do brasileiro

Achei muito interessante a reportagem publicada hoje na Folha de São Paulo sobre uma atualização no periódico "The Lancet" sobre a saúde no Brasil. A principal notícia é sobre o tempo de vida que doenças psiquiátricas "roubam" dos brasileiros. Psicose, Depressão e álcool são os principais vilões. Há outras informações muito interessantes no documento oficial em inglês, que pode ser obtido clicando aqui. Segue na íntegra a reportagem.


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Com mudanças no estilo de vida dos brasileiros, os transtornos psiquiátricos passaram a ocupar lugar de destaque entre os problemas de saúde pública do país.

De acordo com dados citados em uma série de estudos sobre o Brasil, publicada ontem no periódico médico "Lancet", as doenças mentais são as responsáveis pela maior parte de anos de vida perdidos no país devido a doenças crônicas.

Essa metodologia calcula tanto a mortalidade causada pelas doenças como a incapacidade provocada por elas para trabalhar e realizar tarefas do dia a dia.

Segundo esse cálculo, problemas psiquiátricos foram responsáveis por 19% dos anos perdidos. Entre eles, em ordem, os maiores vilões foram depressão, psicoses e dependência de álcool.

Em segundo lugar, vieram as doenças cardiovasculares, responsáveis por 13% dos anos perdidos.

Outros dados do estudo mostram que de 18% a 30% dos brasileiros já apresentaram sintomas de depressão.

Na região metropolitana de São Paulo, uma pesquisa, com dados de 2004 a 2007, mostrou que a depressão atinge 10,4% dos adultos.

Não é possível dizer se o problema aumentou ou se o diagnóstico foi ampliado, diz Maria Inês Schmidt, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e uma das autoras do estudo.

Ela afirma também que são necessários mais estudos para saber de que forma o modo de vida nas cidades pode influenciar o aparecimento da depressão, além das causas bioquímicas.
No caso da dependência de álcool, no entanto, há uma relação com o estilo de vida, uma vez que pesquisas recentes do Ministério da Saúde apontam um aumento no consumo abusivo de bebidas.

IDADE AVANÇADA

O envelhecimento da população também contribui para o aparecimento de transtornos psiquiátricos.

De acordo com o estudo, a mortalidade por demência aumentou de 1,8 por 100 mil óbitos, em 1996, para 7 por 100 mil em 2007.

"O Brasil mudou com consumo de álcool, envelhecimento e obesidade e, com isso, temos novos problemas de saúde", disse o ministro Alexandre Padilha (Saúde).

Em relação às doenças psiquiátricas, ele afirmou que a pasta irá expandir os Caps (centros de atenção psicossocial) e aumentar o número de leitos para internações de curto prazo.

A série de estudos do "Lancet" coloca como outros problemas emergentes de saúde diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, como o de mama. Eles estão associados a mudanças no padrão alimentar, como o aumento do consumo de produtos ricos em sódio.

Por outro lado, a mortalidade por doenças respiratórias caiu, principalmente devido à redução do número de fumantes.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/913536-doencas-psiquiatricas-roubam-mais-anos-de-vida-do-brasileiro.shtml