segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Amor e a Dependência

Tenho observado com muita freqüência pedidos de ajuda relacionados ao amor em meu consultório. Homens e mulheres que deixam de viver a própria vida e fazer suas atividades por querer se dedicar ao seu companheiro. Como retribuição e imensa frustração não são correspondidos, e até mesmo persistem em um relacionamento onde se é humilhado diariamente mas o amor da lembrança do que um dia foi prevalece cheio de esperança que um dia possa voltar a se repetir.

Vou dedicar futuramente um post para tratar de um transtorno de personalidade dependente onde esta situação acontece com a maioria das pessoas que sofrem deste mal. Hoje quero citar um texto muito interessante sobre o que é o amor. A autora deste texto é a Sandra Maia (smaia@brpress.net).


"Acordei assim hoje: com uma vontade imensa de falar sobre o que é realmente o amor e, por mais incrível que pareça, decidi começar com o que não é AMAR - até porque quero crer que muitos de nós conhecem melhor o que não é amor - alguns poucos se permitem viver relações para as quais estão prontos.
Não é amar: viver em função do outro, viver em uma confusão de pensamentos e sentimentos que tiram o foco, viver triste, com receio da perda, do abandono, da mentira, aceitar migalhas, viver se rastejando, falar o que não sente, conceder indefinidamente, adiar sonhos, encolher, esconder-se, deixar-se morrer, anular-se.
AMOR É MESMO UM MILAGRE. Embora todos queiramos experimentá-lo, buscamos parceiros que não têm condições de nos mostrar o caminho? Não sabem, não conhecem o que é amar. Ignoram como é bom ter alguém por perto para compartilhar, ser e estar.
Então, ao final, como é isso? Como é viver uma relação onde cada um dá o seu melhor? O amor floresce. Cada um decide - no dia-a-dia - escolher a relação. Com é viver dessa forma? Dois inteiros, dois que querem e investem no relacionamento, trocam?
Tenho amigos e amigas que vivem em histórias absurdas - aquelas que nascem para não dar certo. E a questão é sempre a mesma: SORTE, AZAR OU ESCOLHA? O que será? Fácil falar que não damos sorte no amor quando trazemos para nossas vidas tudo o que não dá, tudo o que não funciona, tudo o que não é amor.
Qualquer coisa
Pode ser paixão, excitação, autopunição, desejo - não sei. Pode ser qualquer coisa. Mas não AMOR. Essas situações mantém-nos reféns, nos fazem infantis, desajustados. Essas escolhas nos tornam eternos infelizes, vítimas, nos colocam no chão - abaixo do asfalto, abaixo do aceitável...
AMOR É INCONDICIONAL... Ah, essa coisa que muitos vivem por aí não, não é verdadeiramente amor... Pode ser controle, dependência, pode ser simplesmente escolha com base em crenças erradas... Aquelas mesmas que trazemos da infância e repetimos na vida adulta. Crenças como "só eu vou poder mudá-lo(a)", "ele(a) me ama, só não sabe", "está acontecendo algo - forças estranhas separam nosso amor", "ele(a) me quer - só não consegue aceitar", etc, etc.
O pior é achar que tudo isso É NORMAL. Saiba que NÃO É NORMAL. Normal deveria ser o bom. Viver uma relação sem o medo eminente da perda, sem dor, sem sofrimento, sem qualquer função que nos tira do nosso foco, nossos sonhos, nossos planos de crescimento e desenvolvimento humano.
Normalidade
Posso lhes afirmar NÃO É NORMAL viver querendo morrer... Relações com essa dinâmica viciam. São como um THRILLER - cheias de EMOÇÃO, DE ALTOS E BAIXOS, DE PAIXÃO, VIDA E MORTE. Atraem por ser SUPER, SOBRENATURAIS, ENIGMÁTICAS... Fazem-nos viver na ilusão fora da realidade, nos esquecer da verdade, do ser, do amor verdadeiro. Enganamo-nos...
E como vocês também devem conhecer ou viver histórias parecidas, essa semana, conversando com a amiga de uma amiga, um caso me trouxe à mente como num espelho uma questão que demonstra o quanto podemos nos tornar ridículos quando no deixamos envolver em relações doentes...
Ela estava envolvida com um rapaz mais jovem - desempregado, não havia estudado, ciumento, violento, envolvido com outras mulheres, sem escrúpulos, com valores distorcidos, sem qualquer possibilidade de acompanhá-la e ao seu filho... Enfim, um problema sem tamanho... O mais incrível era ouvi-la dizendo: "MAS EU O AMO!" E, o mais complexo, ter de dizer a ela: "ISSO NÃO É AMOR! É DOENÇA! Busque ajuda. Converse com pessoas que vivem relações saudáveis. Veja como vivem. O que esperam um do outro. Como é seu dia-a-dia. Nessas relações o que há é RESPEITO, HARMONIA, DEDICAÇÃO, RESPONSABILIDADE. Há um cuidar da relação que os mantém fortes, unidos, íntegros, saudáveis. Um conviver que faz bem. Não tem soluços, não têm idas e vindas, rompimentos e voltas..."
Não foi fácil, mas arrisquei e tentei convidá-la a refletir, pensar, compreender o que estava em jogo nessa teimosia. "AMOR", comentei com ela, "é diferente do que está vivendo! É tranqüilo no que pode ser, quente no que deve ser..." É esse o amor que podemos escolher: sem sobressaltos, sem dor, sem tristeza, um amor leve, livre, solto, um amor que vem para ficar, para uma vida, para o tempo que durar...
Um amor que, sim, terá altos e baixos, conquistas e derrotas. Mas que se sobressai a todos os percalços que a vida um dia traz. Permanece...
Escolhas, sempre escolhas."

8 comentários:

  1. Amor é uma droga. Nos torna totalmente viciados. Incapazes de sobreviver sem ele.

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  2. Carlos,

    primeiro parabéns pela iniciativa do blog. Tenho certeza de que você tem muitas coisas boas para ensinar e repassar às pessoas.
    Sobre este assunto que você postou, COINCIDENTEMENTE, tenho uma mensagem do profeta que cabe e esclarece muito bem esse assunto:

    O Profeta

    "Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
    Que haja antes um mar ondulante entre as praias de vossas almas.
    Encheis a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.
    Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
    Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vos estar sozinho,
    Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

    Dai vossos corações, mas não confieis a guarda um do outro.
    Pois somente a mão da vida pode conter nossos corações.
    E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia;
    Pois as colunas do templo erguem-se separadamente,
    E o carvalho e o cipreste não crescem a sombra um do outro."

    (Khalil Gibran)

    Acho que isso da uma direção bem boa para esse caminho. Forte abraço.

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  3. Noeli - Sempre me questiono filosoficamente sobre o que seria o amor. Algumas pesquisas relatam que apenas depois de 2 anos existe amor, tudo o que antecede isso seria paixão. Mas o que então explicaria namoros tão curtos se tornarem casamentos tão concretos e duradouros? E namoros longos terminarem da noite pro dia? Farei novas postagens sobre o tema!!

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  4. Shazam - Fico muito feliz em saber que gostou do blog! Eu espero realmente multiplicar alguns conhecimentos e ao menos levar uma luz a quem precisa!

    Khalil Gibran, filósofo de origem libanesa que morreu bem jovem com 48 anos - talvez por ter conseguido viver o que se é pra viver em um tempo menor que o habitual. Acredito que falamos aqui de amor próprio, o maior amor, o único que nos acompanha do nascimento até a morte. Tão forte e tão ignorado por tantos, talvez pela certeza de que sempre estará presente...

    Amor existe na ausência e não na presença!

    Comente mais!! :)

    Grande Abraço

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  5. Olá Carlos parabéns pela iniciativa...Sensibilidade + Ciencia = Maravilhoso...

    Olha desculpe mas eu não sei fazer textos bonitos e bem elaborados, deixo isso para os escritores, mas acredito que eu sou a prova viva da existencia de relacionamentos doentes, eu vivo um, e o unico acrescimo que posso dar aqui é minha propria experiencia pessoal.

    Sou casada ha 9 anos, tenho 3 filhos, 2 do relacionamento atual e 1 do antigo.
    Relacionamentos que comessam errado tendem a dar errado sempre, o meu comessou errado, recem saida de um relacionamento, cheia de magoas e feridas, achei a melhor solução entrar de cabeça em outro, sem pensar, só tentando abrandar a dor, pois bem, fiz isso e vivo nove anos de brigas e discuções, agressões verbais e fisicas, humilhações e traições, tudo de ambas as partes, não ha vitimas indefessas. Então fica a pergunta: Porque não se separam? E a resposta é obvia: porque nos amamos. Uma enorme mentira, não existe amor nessa relação nunca existiu, existe dependencia, habito, comodismo...qualquer outra coisa menos amor. Em uma relação onde existe magoa, dor, sofrimento, sentimento de impotencia, não sobra espaço para o amor, isso é doença, quando um acha que morrer é melhor que ficar do lado do outro, ou que só vai se livrar da presença do outro se morrer, porque não ve outra forma de viver sem ser junto, porque não se acha capaz de seguir em frete, de ser feliz, isso é doença...Tudo isso eu sei, tenho plena consiencia, oque não sei é como se curar, acho que a maioria das pessoas que vivem uma relação doente sabem de tudo isso, mas também não sabem como se curar dessa doença.

    Fale Dr, é possivel se curar? Como se faz isso?

    Muitas pessoas gostariam de saber, afinal minha experiencia pessoal não é muito diferente da maioria, acho até uma experiencia bem comum pelo que escuto das pessoas.

    Abraços!!!

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  6. Realmente é uma história muito comum, se alguém nunca passou por algo desse jeito muito provavelmente irá vivenciar.

    Não acredito que cura seja uma forma interessante de pensar sobre o que esta passando, pense em uma forma diferente de enfrentar a vida. Aprendemos coisas erradas e podemos aprender novamente o correto.

    O grande medo de todos é o abandono, é ficar sozinho. Mas a melhor companhia deve ser sempre a nossa, pois sempre está presente...

    A primeira coisa a fazer é começar a se envolver em atividades estimulantes, que te agrada e proporciona prazer sem a companhia do outro, isso vai aumentando lentamente sua autoestima e inclusive pode melhorar o relacionamento, sem necessariamente ter que se separar.

    Muito obrigado pela visita e pelo comentário! Espero ter ajudado em algo!

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  7. Olá Carlos bem legal seu blog!!
    O AMOR com o sempre um assunto e tanto, independente da experiência que se tenha tido. Uns por terem de mais atenção, carinho, doação de uma pessoa que não gosta tanto ou...ao contrário gostar de mais de alguem que nao te valoriza!! Não sou a melhor pessoa para falar de amor mas enfim, amor...não o conheci no todo...não procuro ...quem sabe ainda ame alguem e quando isso acontecer eu perceba que ali esta o amor..não sei, antes eu pensava que amor deveríamos ter ao menos com pai, mae e filho, hoje já não sei. Essa palavra gera tanto comprometimento, responsabilidade me parece que um passo errado que vc dê dentro do contexto que o amor esteja, tudo vai por água abaixo... me da medo em pensar que o amor esta para chegar. Prefiro imaginar que ele ja foi embora.

    O comentário da nossa amiga **** que relata a experiência é bem real, quase passei por isso e hoje entendo e analise muito (quase todos os dias) os prós e contras... eu acredito que estaria parecida com ela caso ainda estivesse casada, ela ganhou muito o que eu perdi e eu ganhei muito o que ela perdeu! No fim está as duas experiências consoladas e dois caminhos certos pq não?? No fundoo no fundo sempre sabemos qual caminho seguir!! E estamos vivendo...


    Abraço!

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